Na Resenha: "Sai que é tua Ricardo Leite"
- 24 de jul. de 2017
- 7 min de leitura
Esta semana o quadro Sai que é tua é com Ricardo Leite, cronista esportivo, repórter policial, comentarista político e apresentador. Tem passagens pela Rádio América, Globo, Rede Vida e SUPER RÁDIO de SP e AM 1150. Além disso é comentarista esportivo da Rádio Capital de São Paulo. Torcedor e profundo conhecedor do São Paulo Futebol Clube fanático, Ricardo aceitou uma entrevista com o Se Consagro e respondeu a muitas perguntas, que são duvidas do torcedor tricolor.

Confira a entrevista do Ricardo Leite para blogueiro, de Danilo Alves. Está sensacional.
A torcida tricolor que tem tantas duvidas sobre o atual momento e até mesmo o futuro do clube pode tirar algumas duvidas nesta entrevista com um conhecedor dos bastidores do Morumbi.
SC: Conte um pouco sobre você e do seu trabalho para os nossos leitores e seguidores conhecerem melhor o Ricardo Leite
Ricardo Leite – Sou apresentador de rádio, com algumas raras experiências na TV, onde cheguei a apresentar um programa religioso na Rede Vida. No mais, trabalhei nas principais emissoras de São Paulo, sempre disputando ou ocupando a liderança. Como comecei minha carreira na crônica esportiva, além de apresentador de rádio, às vezes curto uma de comentarista esportivo, tanto no rádio convencional (AM e FM) quanto na web rádio São Paulo Digital.
SC: Você concorda com a declaração do comentarista da Rede Globo, o Casagrande, que disse que este atual elenco do São Paulo é o pior da historia?
Ricardo Leite – Não. O elenco do Paulista de 1990, montado pelo Juvenal, era muito pior. Tinha 4 ou 5 bons nomes já em declínio mas uma turma que não seria titular em nenhum outro time do eixo RJ-SP. Tanto que quando saíram do São Paulo, desapareceram.
SC: Este ano houve muitas saídas e chegadas de jogadores, este cenário na sua visão é desmanche ou é um faxina no elenco?
Ricardo Leite – Falta de planejamento, muito cacique pra pouco índio, gente remando pra um lado e gente remando pra outro lado. Teve jogador que foi negociado e o técnico só descobriu na véspera do jogo, depois de treinar a semana toda.
SC: Qual a sua opinião sobre o Rogério Ceni aceitar o cargo de treinador sem nenhuma experiência?
Ricardo Leite– Não era o projeto dele. Estava no meio de um curso. Começou a ser vendida a ideia pra ele de que seria sua chance e que uma outra oportunidade poderia demorar alguns anos. Ele então passou a visitar Cotia, assistir jogos da Copa Paulista e a observar novos valores. Me parece que acreditou demais nas pessoas erradas.
SC: A demissão dele foi errada na sua visão? Por quê?
Ricardo Leite- Quando ele foi contratado em Novembro, fui contra. E isto falei claramente nos microfones da São Paulo Digital. No entanto, apoiei e torci muito por ele, sendo criticado nas redes sociais. Alguns chegaram até a achar que eu fazia aquilo por ser fã dele. Não, sou fã de outros jogadores antes do Rogério. Ele foi importante ao clube mas minha geração se permitiu ter ídolos como Careca e Raí, por exemplo. Então, quando defendi a permanência do Rogério foi com isenção de quem acreditava em seu trabalho. Acho que foi precipitada sua demissão. O time vai crescer porque está chegando a um processo de definição, a saída de alguns “cansados” e outros “desfocados”. Montaram um elenco com metade da turma que nasceu para não levantar troféu. Isso acontece. Já aconteceu em outros clubes: bons jogadores mas que não nasceram pra fazer a diferença nas decisões ou pra conquistar títulos. De Fevereiro a Junho, tiraram do elenco inicial cerca de 22 jogadores do Rogério. Fora as inúmeras contusões. Quando ele começou a fazer mudanças, os críticos passaram a falar em improvisações, invenções ou que estaria perdido. Parte da torcida comprou a ideia e aí virou uma hipnose coletiva. E no momento em que o time começava a ter a volta de contundidos e a chegada de bons reforços, demitiram o Rogério. Óbvio que vai melhorar com o Dorival, como eu acho que melhoraria com o Rogério. E cada vez fica mais claro que o problema não estava no técnico e sim no frágil e desunido grupo do primeiro semestre.
SC: São Paulo que era um clube referencia em gestão nos pais, principalmente, na época do tricampeonato brasileiro de 2006-07-08, parou no tempo e hoje comete erros que não era parte do dia a dia do clube. Onde é que o clube se perdeu na direção correta da administração, em sua opinião, quando a gestão do São Paulo começou a desandar, com o Juvenal Juvêncio ou com o Aidar?
Ricardo Leite- Na gestão Juvenal. Ele criou diretorias sociais no clube e passou a distribuir carteirinhas para assessor do assessor. Conclusão, toda eleição (de pouco mais de 3000 mil votantes) ele já começava com 600 x 0. Não havia como a Oposição vencê-lo. Com isso, se tornou soberano em suas decisões, inclusive com aval do Conselho. Apareceu com um horrível terceiro uniforme que parecia pano de chão manchado. Ou mudou as cores do Morumbi para fazer uma aparente média com o PT e deixar tudo vermelho. Foram muitas decisões errôneas. Fora as contratações absurdas. Enquanto sobreviveu o elenco formado na gestão Marcelo Portugal Gouvêa, o time conseguiu conquistar mais 2 brasileiros com o Juvenal. Depois que o time passou a ter jogadores escolhidos apenas na gestão Juvenal, passamos a contratar 50 jogadores para acertar em 4 ou 5. Isso gerou uma folha de pagamento absurda para um time bisonho. Em minhas postagens no Twitter, no ano de 2012, eu já alertava que o São Paulo estava falido e condenado a pagar contas geradas por empréstimos do Juvenal até 2017 ou 2018, no mínimo. Eu não estava tão errado.
SC: O que você acha da gestão Leco?
Ricardo Leite- Leco é um cara legal e muito sãopaulino. Mas não vejo como bom presidente. Talvez um bom membro do Conselho. Mas não como dono da última decisão no São Paulo. Tem dois anos pra nos surpreender. Mas como eu disse, seria uma surpresa. A sua chance seria mais ou menos a do Itamar Franco, que assumiu a presidência após a queda do Collor e se cercou de um elenco de notáveis, colocou a economia nos eixos, implantou programas interessantes e acalmou o país, preparando para o próximo presidente. No caso do Leco, acho que está fazendo completamente diferente. Cada entrevista que dá, se torna um desastre a mais.
SC: E o que fazer para recolocar o clube nos trilhos novamente?
Ricardo Leite- Não existe uma fórmula mágica ou milagre. Mas algumas coisas poderiam ajudar: Leco ficar quieto e mais discreto; ao invés de usar o estatuto para remunerar conselheiros, deveria buscar no mercado profissionais para ocupar diretorias específicas, remodelar o sócio torcedor, popularizar a arquibancada a 10 reais, dispensar jogadores que nitidamente não deram certo e trazer jogadores com sangue nos olhos – estamos cansados de jogador que tem “nome” mas na hora do pega pra capar, não passa de um café com leite.
SC: O elenco ainda precisa de reforços? Quais as posições carentes do São Paulo? Há nomes sendo especulados nos bastidores?
Ricardo Leite - Sim, precisa. Tirando Arbolleda, Petros, Jucilei e Pratto, o restante não atravessa um bom momento ou nunca atravessará um bom momento. Prefiro não citar nomes porque não trabalho com especulações e também porque no São Paulo, você dá uma entrevista de noite e na manhã seguinte venderam mais 2 e trouxeram alguém que você nunca ouviu falar, mas que apresentam pra torcida como se fosse o novo “Neymar”. Estamos cansados de expectativas em gente como Roni, Silvinho, Ytalo, Piris, Paulo Assunção, Adrian Gonzales, Tolói, Xandão, Jean Rolt, Clemente Rodriguez, Rogério do Nordeste, Neilton, Kieza e mais uma bagulhada que não vale a pena nem citar, que contratamos nos últimos 4 ou 5 anos e que foi de lascar.
SC: Qual sua expectativa em relação ao Dorival Junior como novo técnico do São Paulo? E a projeção da equipe neste campeonato brasileiro ?
Ricardo Leite- Dorival era o técnico que eu teria contratado em Novembro. Acho que foi uma injustiça e precipitada a saída do Rogério Ceni. Acredito que o time vá passar por um natural período de depuração e melhora. E isso aconteceria também com o Rogério. O bom que o fato de ser o Dorival, pelo menos não vai ter mais a birra de parte da imprensa em querer induzir a parte sugestionável da torcida que a culpa é de novo do técnico e que o elenco “não é ruim”. Com o Dorival, acredito que ficará mais nítido o que tenho falado: tem jogador que até tem nome mas não nasceu pra ser campeão. Ou seja, pode dar fazer um certo barulho em outro time mas não serve para o São Paulo.
Neste campeonato, acredito que virá uma tabela mais favorável (demitiram o Rogério no pior momento da tabela) e o São Paulo engatando uma sequência (e sim, acho possível sim) de 3 vitórias, poderá pensar em vôos maiores. Pode parecer estranho, mas ainda acredito no G-6. Lembre-se que no ano passado, nesta época, o Internacional era líder do campeonato, enquanto que Atlético MG e Botafogo estavam na zona do rebaixamento.
SC: O Morumbi ainda que seja um belo estádio e um templo do futebol brasileiro, dá a entender que esteja ultrapassado perante as novas arenas em vários aspectos tanto na questão de eventos, hoje a maioria é realizado no Allianz Parque, e também na questão de pressão da torcida pela distancia da arquibancada para o gramado em relação as arenas que são mais compactas ocasionando em um clima mais hostil para os visitantes. Sobre essas questões citadas você acha que o São Paulo precisa modernizar seu estádio? Já existe algum projeto neste sentido?
Ricardo Leite- Não acho que esteja ultrapassado. E sobre quem prefere as arenas, azar de quem prefere as arenas. Alguns organizadores de shows preferem a arena Palestra pela localização ou por já ter acordos com empresas que possuem camarotes nas arenas. Tanto que não me lembro de algum grande show internacional em Itaquera.
Sobre o Morumbi, também acho o campo fica longe. Se tem menos de 30 mil pessoas, não exerce pressão sobre o adversário. E não sei se há algum projeto. Sei é que não há dinheiro para muita coisa neste momento.
O que eu sugeri (e registre isso) pessoalmente a algumas pessoas que visitaram o estádio comigo há um ano é a virada do campo. Todo mundo fica no blá blá blá de afundar mais o gramado, eu prefiro outra coisa: virar o campo.
Você desceria uma espécie de tobogã, como Pacaembu, das arquibancadas até o campo, na parte de trás de onde hoje ficam os gols. E deixaria as numeradas e cativas abertas apenas onde ficariam “as novas traves”. Ou seja, você vira o campo. Os túneis dos vestiários não ficariam mais atrás dos gols (como hoje) e sim, na beirada do campo. Ou seja, os times atacariam de uma cativa até a outra, ficando com os bancos de reservas onde hoje estão os gols de fundo.
Resumindo: hoje as traves estão no sentido leste-oeste. Eu colocaria as traves no sentido norte-sul. Vestiários onde hoje é o gol dos fundos. E a entrada dos túneis permaneceriam onde estão hoje, mas com um detalhe: virando o campo, as entradas dos vestiários ficariam do lado gramado.
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Entrevista realizada por Danilo Alves
Foto e arte por Gabriel França
Edições Germano Martiniano

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