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Entrevista com Soninha Francine, ex apresentadora da ESPN Brasil

  • 4 de mar. de 2016
  • 5 min de leitura

"Chegou um momento que tive que escolher entre o jornalismo esportivo e a política"



Na última quarta-feira tive o prazer de entrevistar Soninha Francine, uma das minhas jornalistas esportivas preferidas pelo seu jeito espontâneo e arrojado. Perguntei várias coisas, desde o time de coração até o motivo de ter largado o jornalismo esportivo. Em um conversa de mais de 40 minutos ela me disse: "Chegou um momento que tive que escolher entre o jornalismo esportivo e a política".


Sonia Francine Gaspar Marmo (São Paulo, 25 de agosto de 1967) é uma jornalista, apresentadora de televisão e política brasileira. Como jornalista passou pela MTV, TV Cultura e ESPN Brasil. Também escreveu para Folha de São Paulo e revista Vida Simples. Também foi uma das apresentadoras do programa Saia Justa da GNT. Atualmente, coordenadora de políticas para diversidade sexual do Estado de São Paulo.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

Soninha, tudo bem? Conte para os leitores do site "Se Consagro" por onde anda e o que tem feito.


Eu ando pelo caminho que escolhi de seis anos pra cá, que é o caminho do poder público, da administração pública. Chegou um momento que não tinha como conciliar as duas coisas, carreira politica e mídia esportiva, e eu tinha que sacrificar um dos dois, e sacrifiquei a mídia.


Você trabalhou por muito tempo no jornalismo esportivo, o que levou você a abandonar este meio, teve algo especifico que foi primordial nesta decisão? Sente saudade, tem vontade de voltar?


Em relação à primeira pergunta, sim, teve algo especifico. Uma boa parte do que é produzido nas mídias esportivas não é tão relevante, não tem como negar. A gente passa alguns dias inteiros procurando assunto, depois de já ter feito cobertura de Champions League, Brasileirão etc., chega um momento que não tem mais o que dizer e olha que eu trabalhava na ESPN que é um canal, exclusivamente, esportivo. Penso também que falta uma maior cobertura de outros esportes. A ESPN possui uma grade bastante diversificada, passando pelo Rugby até o Surfe, mas falta ao jornalismo fazer o telespectador entender sobre outros esportes. Quando a pessoa passa a entender melhor sobre tal esporte ela pode se encantar mais pelo mesmo. Como, muitas vezes, não há interesse em fazer o público compreender, no final nos atemos sempre ao futebol e ficamos na mesmice.


Sobre a segunda pergunta, as vezes tenho vontade de voltar. O contato com as pessoas, jogadores, dirigentes e treinadores era muito legal, as conversas de bastidores mais ainda. Sinto falta deste contato. Agora o que mais dói é a saudade da cobertura de grandes eventos, como Olimpíadas, Copa do Mundo, era cansativo, mas extremamente gratificante.


Soninha, este ano é de Olimpíadas aqui no Brasil, como você vê este grande evento no Brasil, tanto no sentido politico social, quanto no esportivo?


No aspecto esportivo é muito legal, por o Brasil ser o país sede e ter vaga garantida em quase todas as modalidades, esportes que antes não tinham evidência nenhuma passarão a ter. Para quem é do esporte poder participar de um evento deste porte é um sonho, o contato com esportistas de todas as modalidades de todo lugar do mundo é espetacular. Do ponto de vista do evento, quem participa dele, organizadores, jornalistas, público, esportistas, sem dúvida, é maravilhoso. Agora, do ponto de vista politico social é um desastre, é uma canalização de recursos públicos descomunal, para se ter uma ideia, os caras aterram mangue para construir Vila Olímpica!!! Qual o proveito social do evento!? A Baia de Guanabara nem para as Olimpíadas conseguiu ser limpa, o legado para a sociedade é quase mínimo, e não existe plano piloto para cidade do Rio de Janeiro, de forma que toda estrutura construída possa beneficiar a cidade posteriormente.


O que você tem a dizer sobre os vultosos investimentos em algumas modalidades, como o Judô, com o objetivo exclusivo de ganhar medalhas.


Em esportes coletivos como o futebol isso pode ser ruim, por exemplo, a seleção feminina. Você investe na seleção e não na modalidade, depois que ganhou a medalha o que acontece? Nada. Agora em esportes individuais é interessante, pois você precisa ter muitos indivíduos bons para sair alguns com condição de ganhar medalhas, assim se investe na modalidade como um todo.


Existe uma modalidade, em particular, que você quer acompanhar?


Sempre gostei mais de basquete e vôlei quando adolescente. Durante as Olimpíadas de Sydney me encantei com a natação, pois presenciei o fenômeno Ian Thorpe. Também amo a ginastica artística por causa da Nadia Comăneci, ginasta romena, supercampeã olímpica. Enfim, também tem o atletismo com Fabiana Murer no salto com vara e o salto triplo que eu gosto bastante.


Vamos agora de futebol. Pode revelar seu time de coração?


Claro, já não é segredo para mais ninguém. Palmeiras.


Apesar, do titulo da Copa do Brasil, o time do Palmeiras ainda não tem um padrão de jogo e o cargo do Marcelo Oliveira anda ameaçado, como você vê isso?


O Palmeiras que ganhou a Copa do Brasil tinha um "corpo", uma liga entre os jogadores. Mas o time ainda é imaturo, falta ainda entrosamento, e isso vêm com o tempo. Não podemos tirar o campeonato regional em um inicio de temporada como parâmetro para demitir um treinador, é de uma imaturidade tamanha. Eu deixaria o Marcelo Oliveira, pois o perfil dele é de quem trabalha bem em longo prazo, o trabalho no Cruzeiro provou isso.


Eu vejo a mídia esportiva dizer que os clubes não dão tempo para os treinadores trabalharem, que os dirigentes são imediatistas em relação a resultados. Porém, quando o time perde três vezes a própria mídia já questiona o trabalho do treinador. Sinto que a mídia contribui para essa cultura imediatista, o que você pensa?


Você mesmo deu a resposta, isso me incomoda no jornalismo esportivo, a ESPN não ia tanto neste sentido, mas dava também suas "escorregadas". Você não pode ser tão categórico ao dizer sobre matéria humana, três derrotas não significa que o cara não serve. Uma boa análise, assim como um bom trabalho leva tempo.


Acredita que o Corinthians, grande rival do Palmeiras, pode ir bem na Libertadores, mesmo após tantas mudanças? E como vê tantas perdas de jogadores para o mercado Chinês?


Bom, essa "praga" (Corinthians) pode ir bem, lamento (risadas). Mas veja, por que pode ir bem? Pois, tem um técnico que monta um time, que jogadores vão e vêm, mas fica um time bem montado. Mas é um trabalho de médio longo prazo.


Sobre o mercado chinês, não sou capaz de aceitar um jogador trocar um clube apenas por dinheiro. Se ainda é um jogador no fim de carreira, ou que tenha mais interesses além do dinheiro ainda é aceitável. Mas, o Renato Augusto, jogador de 27 anos, seleção brasileira, bem adaptado ao Corinthians, ir morar na China só por dinheiro? Os salários que estes caras ganham no Brasil não são suficientes para fazer a vida?


Ainda sobre a Libertadores, acredita que os clubes brasileiros podem ir bem? Acredita que algum possa ficar com o titulo?


O Atlético Mineiro criou uma cultura de superação, de garra, de reverter placares impossíveis que se adequa muito bem ao espirito de libertadores. Acredito que é o que possa ir mais longe de todos os times brasileiros. Mas não vejo nenhum time brasileiro sendo campeão.


Soninha, se você tivesse uma varinha mágica e pudesse mudar uma coisa no futebol brasileiro o que mudaria?


Hun...O Ricardo Teixeira já não comanda mais a CBF, então eu reformularia a estrutura das federações, o corporativismo, a troca de favores, o emparelhamento e modernizaria a administração.


Para finalizar, nos conte uma história sobre bastidores ou um momento marcante na sua carreira de jornalista.


Nas Olimpíadas de Sydney um boxeador brasileiro que entrevistei, não me lembro do nome, chegou todo confiante, acreditando na medalha. Logo na primeira luta ele perdeu. Quando fui entrevista-lo após a derrota ele chorava e pedia desculpas à família e ao Brasil pela derrota. Foi tão sincera a entrevista dele, tão comovente que não me aguentei também, cai em lágrimas.





 
 
 

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